Preparação da química (atenção: soluções tóxicas - utilizar máscara e luvas):
Solução A - 50 g de Citrato Férrico Amoniacal + 250 ml de água destilada - misturar em um recipiente de vidro até que os cristais se dissolvam. Colocar a substância em recipiente de vidro marrom.
Solução B - 35 g de Ferricianeto de Potássio + 250 ml de água destilada. Mesmo processo acima.
Sensibilização do papel:
As duas soluções (A e B) devem ser misturadas em partes iguais. Aplicar na superfície do papel em ambiente pouco iluminado e sem luz natural. Deixar secar.
Impressão da imagem:
Expor o papel com o objeto a ser 'impresso' ao sol até a cor da quimica escurecer. Lavar com água corrente.
Obs: Fórmula apresentada pela artista e fotógrafa Denise Cathilina em oficina no Parque Lage. Existem variações nas proporções das substâncias e acréscimo de outras químicas para obtenção de determinadas tonalidades.
Nossa convidada de hoje, Denise Trindade, apresentou um percurso da relação da fotografia, ou melhor, do fotográfico, com a arte contemporânea.
Três textos foram apresentados como referência ao debate:
BENJAMIN, Walter. Pequena História da Fotografia. In: Magia e Técnica, Arte e Política. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
[link para texto completo aqui no blog, na coluna da direita]
DUBOIS, Philippe. A arte é (tornou-se) fotográfica? Pequeno percurso das relações entre a arte contemporânea e a fotografia no século XX. In: O ato fotográfico e outros ensaios. Campinas, SP: Papirus, 1994. (Coleção ofício de arte e forma).
Denise nos apresentou sua reflexão sobre o tema por meio de uma série de trabalhos de diferentes artistas.
Marcel Duchamp. O Grande Vidro. 1912 a 1923
Élevage de Poussières (Criação de Poeira). Man Ray e Duchamp. 1920
A partir do conceito de 'insconsciente óptico' e da 'aura' e a questão do tempo, em Walter Benjamin, podemos refletir sobre a impressão e a apreensão do tempo nestas duas obras (Duchamp e Man Ray), configurando o que podemos identificar como o "fotográfico".
Sobre Duchamp, ver: CABANNE, Pierre. Macel Duchamp. Engenheiro do tempo perdido. (Entrevistas com Pierre Cabanne). Lisboa: Assírio e Alvim, 1990.
Jovem triste em um trem. Marcel Duchamp. 1911.
Nude descending a staircase, no. 2. Marcel Duchamp. 1912.
Referenciada na discussão apresentada por Dubois sobre um "mundo fixo" e um "mundo da flutuação", Denise nos apresentou fotografias de Aleksandr Rodchenko relacionando-as a trabalhos de Kazimir Malevich.
At the Telephone (No telefone). Rodchenko, 1928.
Concert during work break. Rodchenko.
Composição de Malevich.
Pollock, Rauschenberg, Warhol, Vik Muniz... todos estes artistas também têm em sua obra um forte traço referencial na fotografia e no "fotográfico" (cf. Dubois e Krauss), onde podemos experienciar o tempo, a marca, a impressão, o deslocamento, a perspectiva não monocular.
Portrait - Marilyn Monroe. Andy Warhol.
Eight Elvises. Andy Warhol. 1963.
O trabalho de Yves Klein, em que mulheres são pintadas e "impressas" na tela é um exemplo também marcante da presença do fotográfico na arte.
Anthropométrie de l'époque bleue (ANT 82). 1960. 156,5 x 282,5 cm.
Yves Klein. Untitled Anthropometry.
Também encontramos o "fotográfico" como referencial nos trabalhos do artista Hiroshi Sugimoto.
Os cinemas fotografados em um longo tempo de exposição (o mesmo do filme) - Theater
Personagens do museu de cera que parecem mais reais do que o real - Portraits
Paisagens do mar, em que o horizonte céu-água se dissolvem um no outro - Seascapes
No encontro do dia 22 de Outubro nós aprendemos a técnica do Fotograma.
Os fotogramas (também chamados de impressões ou imagens fotogramáticas) são, de uma forma geral, imagens capturadas sem a utilização de uma câmera fotográfica. Essas imagens são obtidas por contato de um objeto ou material com uma superfície fotossensível exposta à uma fonte de luz.
Esta técnica nasce juntamente com a fotografia. Um artista utilizou bastante este recurso, também denominado Rayographie foi Man Ray.
Rayographie Le Baiser. Man Ray, 1922.
Outro artista que incorporou os fotogramas ao seu trabalho foi Lazló Moholy-Nagy.
Untitled, c. 1922. Lazló Moholy-Nagy.
O fotograma representou, ao lado das colagens, fotomontagens e outros precedimentos técnicos, a incorporação definitiva da fotografia à arte moderna e seu distanciamento da representação gráfica.
Fotogramas produzidos durante o encontro:
Anjo da história. Cris Miranda.
Fabricio Delesderrier.
Maytê Lyrio
Rafael Ribeiro
Teste. Cris Miranda
Veronica Soares
Maria Augusta (Guta).
Luzia de Mendonça.
No dia 29 de outubro, de 18 às 20h30, no CAp - UFRJ, o projeto Investigações Fotográficas receberá a professor e artista Denise Trindade para debater o tema: O fotográfico e a Arte Contemporânea.
Continuamos com as experiências no laboratório de revelação que montamos na oficina. Estamos revelando as fotos dos participantes da oficina que foram tiradas com uma câmera Pinholefeita na lata. As imagens produzidas com este tipo de equipamento ( lata ) nos surpreende a cada " click". Algumas fotos reveladas na oficina ficaram muito boas, outras queimaram, mais faz parte do processo experimental, estamos anotando o tempo de exposição, condições climáticas, tipo de lata, etc. para entendermos melhor o processo da Pinhole em lata que nos conquista a cada teste.